Dra. Natasha Veloso, médica tricologista em São Paulo, explica queda de cabelo causada por GLP-1 e canetas emagrecedoras
Natasha Veloso

Queda de Cabelo e GLP-1: o Que Acontece com os Fios Quando Você Usa Canetas Emagrecedoras

Esse tema chegou ao meu consultório com força nos últimos dois anos, e ainda chega com uma frequência que me diz que não estamos falando sobre isso com a clareza que deveria. A mulher começa a usar GLP-1, o emagrecimento acontece, ela fica feliz com o resultado, e algumas semanas ou meses depois o cabelo começa a cair de um jeito que ela não esperava.

Ela pergunta para o médico que prescreveu a caneta. Às vezes ouve que não tem relação. Às vezes ouve que vai passar. Às vezes ouve que é estresse e ela fica sem uma resposta que faça sentido para o que está vivendo no espelho todos os dias.

Então vou responder com precisão, porque a pergunta merece isso.

O que é GLP-1 e por que ele está associado à queda de cabelo

Os agonistas de GLP-1, como a semaglutida e a liraglutida, comercializados sob diferentes nomes e amplamente conhecidos como “canetas emagrecedoras”, atuam mimetizando um hormônio intestinal que regula o apetite, retarda o esvaziamento gástrico e reduz a ingestão calórica. O resultado, quando há adesão ao tratamento, é uma perda de peso consistente.

A queda de cabelo associada ao uso de GLP-1 não é, em geral, um efeito tóxico direto do medicamento sobre o folículo. O mecanismo é outro, e entendê-lo faz toda a diferença para saber como lidar com ele.

Quando o corpo passa por uma restrição calórica significativa e rápida, e a perda de peso acontece de forma acelerada, o organismo entra em estado de estresse metabólico. Essa situação de estresse fisiológico, combinada com a perda de massa magra que frequentemente acompanha o emagrecimento rápido sem suporte nutricional adequado, deflagra um eflúvio telógeno: a queda de muitos fios ao mesmo tempo, que saem de forma difusa em toda a cabeça.

Esse é o mesmo mecanismo que acontece após cirurgias bariátricas, após períodos prolongados de dieta restritiva severa, e em outras situações em que o organismo percebe uma queda brusca na disponibilidade de nutrientes. O GLP-1 não é o vilão direto. O que ele faz é possibilitar um ritmo de perda de peso que, sem acompanhamento nutricional e clínico adequado, coloca o folículo sob estresse metabólico.

Por que algumas mulheres perdem mais cabelo do que outras

Nem toda mulher que usa GLP-1 perde cabelo de forma significativa. Isso acontece por algumas razões que se somam de formas diferentes em cada caso.

A velocidade da perda de peso importa: quanto mais rápido o emagrecimento, maior o estresse metabólico e maior o risco de eflúvio. A ingestão proteica durante o tratamento importa muito: a proteína é matéria-prima para a queratina, que é o componente principal do fio, e uma dieta pobre em proteína durante o emagrecimento priva o folículo de exatamente o que ele precisa para manter o ciclo de crescimento. A presença de deficiências nutricionais prévias, como ferritina baixa ou vitamina D insuficiente, amplifica o impacto.

E, de forma muito relevante para as mulheres que estão na perimenopausa ou na menopausa: o contexto hormonal já desfavorável para o folículo torna o estresse metabólico do GLP-1 mais impactante do que seria numa mulher mais jovem com estrogênio em nível adequado.

O que faço quando essa paciente chega ao consultório

Gosto de avaliar esse caso com cuidado, porque ele tem camadas. Primeiro, faço a tricoscopia para entender o que está acontecendo dentro do folículo: se é eflúvio telógeno puro, se há alopecia androgenética latente que o estresse metabólico revelou, ou se há as duas situações simultaneamente.

Depois, cruzo com os exames laboratoriais, porque a queda pelo GLP-1 frequentemente expõe deficiências que já existiam e que o processo de emagrecimento aprofundou. Ferritina baixa, vitamina D insuficiente e zinco reduzido são achados muito comuns nesse perfil de paciente.

Com esse diagnóstico na mão, o plano é construído para o caso real, não para o caso genérico. O eflúvio telógeno puro, quando a causa é endereçada, tende a se resolver. Quando há alopecia androgenética coexistente, o tratamento é diferente e mais específico.

O que não funciona é esperar que passe sozinho quando há fatores contribuintes identificáveis que podem ser corrigidos agora.

Se você usa GLP-1 e percebeu queda de cabelo, agende sua Consulta Reflexo 360. Avalio o que está acontecendo no seu folículo e construímos um plano que não peça para você escolher entre emagrecer e ter cabelo.


SOBRE A AUTORA

Dra. Natasha Veloso (CRM-SP 172.505) é médica formada pelo CESUPA (Centro Universitário do Pará), pós-graduada em dermatologia, estética e cirurgia dermatológica, e dedico minha atuação à tricologia e à saúde capilar feminina, com foco em queda de cabelo na perimenopausa e na menopausa. Sou fundadora da Oasyum, em São Paulo, e associada à Academia Brasileira de Tricologia (ABT), Sociedade Brasileira de Tricologia (SBT) e Associação Brasileira de Climatério (SOBRAC). Acesse: draveloso.com.br


Referências bibliográficas

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Fabbrocini G, Cantelli M, Masarà A, Annunziata MC, Marasca C, Cacciapuoti S. Female pattern hair loss: a clinical, pathophysiologic, and therapeutic review. International Journal of Women’s Dermatology. 2018;4(4):203-211. https://doi.org/10.1016/j.ijwd.2018.05.001

Malkud S. Telogen effluvium: a review. Journal of Clinical and Diagnostic Research. 2015;9(9):WE01-WE03. https://doi.org/10.7860/JCDR/2015/15219.6492

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