Mulher na menopausa refletindo sobre alimentação e impacto da dieta restritiva na queda de cabelo
Natasha Veloso

Menopausa, emagrecimento e queda de cabelo: o que ninguém te conta sobre esse elo

Menopausa, emagrecimento e queda de cabelo: o que ninguém te conta sobre esse elo

A mulher chega na menopausa e percebe que o peso mudou. O metabolismo desacelerou. A gordura corporal se redistribuiu e ela começa, muitas vezes com orientação médica, uma dieta para emagrecer.

Alguns meses depois, o cabelo cai mais e ninguém conecta os dois.

A relação entre menopausa, emagrecimento e queda de cabelo é um dos temas que mais aparecem no meu consultório e menos aparecem nas consultas de nutrição e endocrinologia que essas pacientes também frequentam. Não é coincidência, e tampouco é culpa da mulher. É um elo real que precisa ser nomeado.


Por que a restrição calórica agride o folículo

O folículo capilar é um tecido metabolicamente ativo e energeticamente custoso. Quando a ingestão calórica cai abaixo do necessário, o organismo prioriza energia para funções vitais, e o folículo capilar entra na lista dos tecidos secundários que podem esperar.

O resultado é um eflúvio telógeno, aquela queda difusa e intensa que aparece dois a três meses depois do início da restrição, porém, na menopausa, esse processo é amplificado porque a queda de estrogênio já estava estressando o folículo pelo caminho hormonal. A restrição calórica adiciona um segundo gatilho, e os dois juntos produzem uma queda mais intensa do que qualquer um causaria sozinho.

Além disso, dietas restritivas frequentemente geram deficiências de proteína, ferro, zinco e vitaminas do complexo B, exatamente os nutrientes que o folículo capilar mais precisa para sustentar a fase de crescimento.


O erro que mais vejo

O erro não é querer emagrecer, o erro é emagrecer sem monitorar os marcadores nutricionais que afetam o cabelo.

Muitas mulheres fazem dieta corretamente, perdem peso, ficam satisfeitas com o resultado na balança e desoladas com o resultado no espelho, porque o cabelo não estava no plano de quem prescreveu a dieta. Na menopausa, o plano de emagrecimento precisa considerar a saúde capilar como variável, o que significa garantir proteína adequada, monitorar ferritina e vitamina D ao longo do processo e ajustar o ritmo da restrição calórica para não ultrapassar o limiar de estresse folicular.


Como avaliar se a dieta está contribuindo para a queda

Se você iniciou uma dieta nos últimos seis meses e percebeu aumento na queda de cabelo, a sequência temporal já é um sinal, porém, a confirmação diagnóstica precisa de tricoscopia para avaliar o padrão da queda e de exames para mapear as deficiências nutricionais.

Na Consulta Reflexo 360, quando a paciente tem histórico de restrição alimentar recente, oriento painel nutricional específico que inclui ferritina, vitamina D, zinco, vitaminas do complexo B e proteínas totais. Porque a queda que a dieta causou é, em geral, reversível. Porém, ela precisa de diagnóstico e de um plano que considere tanto o processo de emagrecimento quanto a saúde do folículo, minha medusa atenta. Os dois podem coexistir com estratégia. ✨

Agende sua Consulta Reflexo 360


Sobre a autora
Dra. Natasha Veloso (CRM-SP 172.505) é médica formada pelo CESUPA (Centro Universitário do Pará), pós-graduada em dermatologia, estética e cirurgia dermatológica, e hoje dedica sua atuação à tricologia e à saúde capilar feminina, com foco em queda de cabelo na perimenopausa e na menopausa. Fundadora da Oasyum, em São Paulo, e associada à Academia Brasileira de Tricologia (ABT) e Associação Brasileira de Climatério (SOBRAC). Acesse: draveloso.com.br

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