Eflúvio telógeno no climatério: por que o corpo desacelera o crescimento do cabelo
Existe um tipo de queda de cabelo que confunde porque não tem cara de calvície. Não há área demarcada, não há placa visível, não há rarefação localizada numa região específica. O que há é um cabelo que cai em quantidade maior do que o normal, de forma generalizada, e uma sensação de que o volume foi embora de repente.
O eflúvio telógeno no climatério é uma das causas mais frequentes desse padrão, e também uma das menos explicadas às pacientes. Entender o mecanismo ajuda a compreender por que acontece e, mais importante, o que é possível fazer a respeito.
O que é eflúvio telógeno
O ciclo capilar tem três fases: anágena (crescimento ativo), catágena (transição) e telógena (repouso e queda). Em condições normais, cerca de 85% dos fios estão na fase anágena e apenas 10 a 15% na fase telógena em qualquer momento.
O eflúvio telógeno acontece quando um evento estressante, seja físico, nutricional ou hormonal, empurra um número anormalmente alto de fios para a fase telógena ao mesmo tempo. Quando esses fios entram em queda sincronizada, geralmente dois a três meses depois do evento gatilho, a quantidade de cabelo perdido pode ser muito superior ao habitual.
No climatério, esse mecanismo é ativado com frequência porque a própria flutuação hormonal da perimenopausa funciona como gatilho contínuo: os níveis de estrogênio oscilam de forma imprevisível, e o folículo capilar responde a cada variação.
Por que o climatério é um gatilho persistente
A diferença entre o eflúvio telógeno comum e o que acontece no climatério é que, nessa fase, o gatilho não é um evento único e passado. É um estado hormonal que dura meses ou anos.
Isso significa que, enquanto em situações típicas o eflúvio telógeno tende a se resolver quando a causa base é tratada, no climatério a queda pode persistir enquanto a transição hormonal estiver ativa. Além disso, ela frequentemente se sobrepõe à alopecia androgenética que a queda de estrogênio também favorece, criando um quadro misto que exige diagnóstico diferencial cuidadoso.
Outros fatores que se somam à flutuação hormonal nessa fase: deficiência de ferritina, hipotireoidismo subclínico, privação de sono crônica e estresse cortisólico elevado.
Como distinguir eflúvio telógeno de alopecia androgenética
Essa distinção é clínica e tricoscópica, e é uma das primeiras avaliações que faço em consulta.
O eflúvio telógeno tem queda difusa sem padrão de miniaturização progressiva, e os fios em queda costumam ser terminais e espessos, não fios miniaturizados finos. A alopecia androgenética, por sua vez, mostra miniaturização progressiva na tricoscopia, com fios de calibres diferentes na mesma região.
Porém, os dois quadros podem existir simultaneamente, e essa sobreposição é exatamente o que encontro com mais frequência em pacientes na perimenopausa. Tratar apenas um sem identificar o outro mantém a paciente num ciclo de melhora parcial que nunca resolve completamente.
O caminho é o diagnóstico, não a espera
Se você está com queda difusa intensa no climatério, a conduta não é aguardar passar. É investigar, porque o eflúvio pode estar sendo alimentado por fatores tratáveis que, sem diagnóstico, continuam atuando mês após mês.
Na Oasyum, a Consulta Reflexo 360 inclui tricoscopia digital, avaliação clínica e orientação de exames direcionados para identificar todos os fatores que estão contribuindo para a sua queda específica. Porque cada quadro tem seus elementos, minha medusa curiosa, e o seu merece ser lido com essa precisão. ✨
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Sobre a autora
Dra. Natasha Veloso (CRM-SP 172.505) é médica formada pelo CESUPA (Centro Universitário do Pará), pós-graduada em dermatologia, estética e cirurgia dermatológica, e hoje dedica sua atuação à tricologia e à saúde capilar feminina, com foco em queda de cabelo na perimenopausa e na menopausa. Fundadora da Oasyum, em São Paulo, e associada à Academia Brasileira de Tricologia (ABT) e Associação Brasileira de Climatério (SOBRAC). Acesse: draveloso.com.br

