Outubro é o mês em que o laço rosa aparece em todo lugar e eu fico pensando nas mulheres que já passaram pelo diagnóstico, pelo tratamento, pela quimioterapia, e que chegam ao outro lado se perguntando por que o cabelo voltou diferente, ou por que não voltou como esperavam. Essa pergunta chega ao consultório com frequência, e ela merece uma resposta real, não uma de protocolo.
Então vou escrever sobre isso com o cuidado que o tema exige.
O que a quimioterapia faz com os fios
A quimioterapia age sobre células de divisão rápida, porque é justamente essa característica que define as células tumorais. O problema é que outras células do corpo também se dividem rapidamente, e os folículos capilares estão nessa lista. Por isso, a queda de cabelo é um dos efeitos colaterais mais comuns do tratamento quimioterápico.
O tipo de queda que acontece durante a quimioterapia tem nome específico: eflúvio anágeno. Diferente do eflúvio telógeno, que é a queda de fios em repouso e que acontece no pós-parto ou em períodos de estresse intenso, o eflúvio anágeno interrompe o fio em plena fase de crescimento. A queda costuma ser rápida, intensa, e pode atingir o couro cabeludo de forma quase total em alguns protocolos de quimioterapia.
A queda, na maioria dos casos, é reversível. Os folículos não foram destruídos: eles foram interrompidos e quando o tratamento termina e o organismo se reorganiza, o crescimento tende a recomeçar, porém “tende a recomeçar” não significa “volta exatamente como era”.
Por que o cabelo nem sempre volta igual
Esse é o ponto que menos aparece na conversa antes e durante o tratamento, e que causa grande angústia depois. O cabelo que cresce após a quimioterapia pode voltar com textura diferente, com ondulação que não existia antes, com calibre menor, ou com densidade reduzida em relação ao que havia antes do tratamento.
Isso acontece por algumas razões. Em primeiro lugar, o folículo que passou por um período de interrupção forçada pode demorar mais ciclos para voltar ao seu funcionamento pleno. Em segundo lugar, se havia uma alopecia androgenética latente antes do diagnóstico, ou seja, uma predisposição genética à miniaturização dos fios que ainda não havia se manifestado de forma perceptível, a quimioterapia pode revelar esse processo ou acelerá-lo, e terceiro, o tratamento oncológico frequentemente envolve alterações hormonais significativas, especialmente em mulheres que fazem terapia hormonal adjuvante, e essas alterações têm impacto direto no ciclo capilar.
O momento em que a mulher observa que o cabelo voltou ralo, sem o volume esperado, ou que está caindo de novo meses após o fim do tratamento, não é necessariamente um sinal de recidiva. Pode ser qualquer uma dessas situações, ou a combinação delas, e cada uma exige uma abordagem diferente.
Quando buscar avaliação especializada
Não existe um marco temporal fixo para buscar acompanhamento tricológico após a quimioterapia, porque isso depende do protocolo de tratamento utilizado, do estado geral de saúde, e do que está acontecendo com o couro cabeludo especificamente, mas existem sinais que indicam que a avaliação deve ser feita sem esperar mais:
O cabelo está voltando de forma muito irregular, com áreas de crescimento e áreas sem crescimento visíveis. A queda continua intensa mais de seis meses após o fim da quimioterapia. Os fios que crescem são visivelmente mais finos do que os que existiam antes. Há sensação de ardência, coceira persistente ou sensibilidade no couro cabeludo que não melhora com o tempo.
Nesses casos, a tricoscopia permite visualizar o que está acontecendo dentro do folículo, identificar se o processo de recuperação está ocorrendo de forma adequada, e orientar se há necessidade de suporte específico para ajudar o folículo a recuperar seu ciclo normal.
O que faço nesse contexto
Gosto muito de acompanhar mulheres nessa fase, porque é um momento em que o cuidado com o cabelo vai muito além da estética. O cabelo é parte de como essa mulher se reconhece e depois de meses de tratamento, de um corpo que mudou de formas que ela nem sempre escolheu, ver os fios voltando é um marcador de recuperação, de retomada, de presença.
Quando a recuperação não acontece como esperado, a angústia é real e merece ser levada a sério, não minimizada com “é normal, vai melhorar”. Pode melhorar, com avaliação e acompanhamento adequados, todavia para isso é preciso entender o que está acontecendo no folículo primeiro.
Aqui, na Oasyum, no Paraíso, em São Paulo, fazemos a tricoscopia digital para avaliar a fase de recuperação folicular e identificar se há fatores que podem ser endereçados para melhorar o resultado. Cada caso é avaliado no contexto do tratamento que a mulher fez e do momento de vida em que ela está.
Se você passou pela quimioterapia e está preocupada com a recuperação do cabelo, agende sua Consulta Reflexo 360. Avaliamos o que está acontecendo no seu folículo e construímos um plano que faz sentido para o seu momento.
SOBRE A AUTORA
Dra. Natasha Veloso (CRM-SP 172.505) é médica formada pelo CESUPA (Centro Universitário do Pará), pós-graduada em dermatologia, estética e cirurgia dermatológica, e dedico minha atuação à tricologia e à saúde capilar feminina, com foco em queda de cabelo na perimenopausa e na menopausa. Sou fundadora da Oasyum, em São Paulo, e associada à Academia Brasileira de Tricologia (ABT), Sociedade Brasileira de Tricologia (SBT) e Associação Brasileira de Climatério (SOBRAC). Acesse: draveloso.com.br
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