Médica tricologista explicando a diferença entre alopecia androgenética feminina e eflúvio telógeno
Natasha Veloso

Qual a diferença entre alopecia androgenética e eflúvio telógeno?

O eflúvio telógeno é uma queda difusa e temporária, em que muitos fios entram na fase de repouso ao mesmo tempo, geralmente semanas depois de um gatilho como cirurgia, febre, perda de peso rápida ou estresse intenso. A alopecia androgenética feminina é progressiva e afeta principalmente o topo da cabeça, alargando a risca, com afinamento gradual do fio. Os dois podem coexistir, e é isso que a tricoscopia ajuda a separar.

O que é alopecia androgenética feminina?

A alopecia androgenética é a causa mais comum de queda de cabelo em mulheres, especialmente acima dos 40 anos. Ela resulta da sensibilidade dos folículos capilares ao DHT, hormônio derivado da testosterona, que provoca a miniaturização progressiva do fio: o folículo vai produzindo fios cada vez mais finos, mais curtos e mais claros, até que, em estágios avançados, a produção cessa.

Esse processo é progressivo e não se resolve sozinho. Porém, tem tratamento eficaz quando diagnosticado corretamente e iniciado enquanto o folículo ainda tem atividade.

O que é eflúvio telógeno?

O ciclo capilar tem três fases: anágena (crescimento), catágena (transição) e telógena (repouso e queda). Em condições normais, cerca de 85 a 90% dos fios estão na fase anágena e apenas 10 a 15% na fase telógena simultaneamente.

O eflúvio telógeno acontece quando um evento estressante empurra um número anormalmente grande de fios para a fase telógena ao mesmo tempo. Esses fios entram em queda sincronizada dois a três meses depois do evento gatilho, o que frequentemente leva a paciente a não identificar a causa, porque a queda intensa aparece quando o evento que a causou já passou.

O eflúvio telógeno pode ser agudo (queda intensa, resolução espontânea quando a causa base é tratada) ou crônico (queda persistente alimentada por um gatilho contínuo, como deficiência nutricional não tratada ou transição hormonal da menopausa).

Como distinguir os dois na prática?

As duas condições podem parecer similares ao espelho, porém têm características distintas que a tricoscopia digital revela com clareza.

Na alopecia androgenética: a tricoscopia mostra miniaturização progressiva com fios de calibres diferentes na mesma região, redução de densidade por centímetro quadrado e padrão de distribuição específico na região central.

No eflúvio telógeno: a tricoscopia mostra fios em fase de queda, porém com calibre relativamente preservado, sem o padrão de miniaturização progressiva.

O ponto mais importante: os dois quadros podem coexistir, e é exatamente o que encontro com frequência em mulheres na perimenopausa. Aqui na Oasyum, no Paraíso, em São Paulo, a Dra. Natasha Veloso (CRM-SP 172.505) realiza esse diagnóstico diferencial em toda avaliação inicial, porque o tratamento que funciona começa pela causa certa, não pela suposição mais provável. Faz sentido? ✨

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FAQ

Eflúvio telógeno tem cura?
O eflúvio telógeno costuma se resolver quando a causa base é identificada e tratada. Porém, em casos crônicos, onde a causa persiste (como deficiência de ferritina não tratada ou transição hormonal prolongada), a queda pode ser mantida até que o fator desencadeador seja manejado.

A alopecia androgenética feminina piora com a menopausa?
Frequentemente sim. O estrogênio que protegia o folículo cai na menopausa, e o DHT passa a agir com menos resistência. Mulheres com predisposição genética à alopecia androgenética costumam perceber aceleração da queda nessa fase.

Como saber qual tipo de queda tenho sem fazer tricoscopia?
Não é possível com segurança clínica. A observação visual pode sugerir um padrão, porém só a tricoscopia digital revela com precisão o que está acontecendo no folículo e permite distinguir os dois quadros, especialmente quando coexistem.

Posso ter os dois tipos de queda ao mesmo tempo?
Sim, e é frequente. Especialmente na menopausa, onde a transição hormonal favorece os dois mecanismos simultaneamente.

O tratamento é diferente para cada tipo?
Completamente. O tratamento para alopecia androgenética atua na miniaturização folicular. O para eflúvio telógeno atua na causa base da queda temporária. Tratar um com o protocolo do outro é ineficaz.


Sobre a autora
Dra. Natasha Veloso (CRM-SP 172.505) é médica formada pelo CESUPA (Centro Universitário do Pará), pós-graduada em dermatologia, estética e cirurgia dermatológica, e hoje dedica sua atuação à tricologia e à saúde capilar feminina, com foco em queda de cabelo na perimenopausa e na menopausa. Fundadora da Oasyum, em São Paulo, e associada à Academia Brasileira de Tricologia (ABT), Sociedade Brasileira de Tricologia (SBT) e Associação Brasileira de Climatério (SOBRAC). Acesse: draveloso.com.br

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