Dra. Natasha Veloso aplicando o método CAHPEX Oasyum durante em paciente com queda capilar feminina
Natasha Veloso

Queda de Cabelo na Gravidez e no Pós-Parto: o Que Acontece e o Que Fazer

Escrevi sobre queda de cabelo na gravidez na Revista Caras, numa coluna sobre as alternativas seguras para tratar esse problema durante a gestação. O que coube na página impressa foi a ponta do assunto, o que fica de fora é sempre o que mais importa para quem está vivendo isso, porque a angústia aparece nos detalhes que o espaço editorial não comporta.

Então vou completar aqui, com profundidade, o que o texto da revista abriu.

Por que o cabelo cai no pós-parto

Na gravidez, os níveis de estrogênio sobem de forma intensa e sustentada. Esse pico hormonal mantém os fios por mais tempo na fase de crescimento, o que faz com que muitas mulheres percebam o cabelo mais cheio, mais bonito e mais presente durante a gestação. O que acontece não é o crescimento de cabelos novos, mas a retenção de fios que normalmente estariam caindo. A fase de queda natural fica suspensa.

Quando o bebê nasce, os hormônios caem rapidamente. E todos aqueles fios que ficaram retidos durante meses entram juntos na fase de queda. Isso tem nome clínico: eflúvio telógeno pós-parto. É a queda de muitos fios ao mesmo tempo em resposta a uma mudança hormonal abrupta, e ela costuma ter pico entre o segundo e o quinto mês após o nascimento.

Estudos publicados no Journal of Clinical and Aesthetic Dermatology mostram que cerca de 90% das mulheres apresentam algum grau de queda capilar no período pós-parto. Não é exceção: é a regra, e ainda assim raramente é explicada antes do nascimento, o que transforma um processo biológico esperado em uma descoberta assustadora para a maioria das mães.

E durante a gravidez, pode cair também?

Pode, e quando cai durante a gestação, o sinal merece mais atenção do que no pós-parto, porque é um período em que, biologicamente, o cabelo deveria estar protegido pelo ambiente hormonal elevado.

Quando há queda durante a gravidez, vale investigar: deficiência nutricional (ferro e vitamina D são as mais comuns em gestantes), disfunção tireoidiana, ou um quadro de alopecia que já existia antes e se manifestou ou se agravou nesse contexto. Quanto mais avançada a gestação em que a queda começa, maior tende a ser o impacto hormonal associado. A queda também pode acontecer após aborto espontâneo, um dado que raramente aparece nessa conversa, porque o impacto hormonal existe independentemente de o bebê ter chegado a termo.

O que é seguro fazer durante a gravidez

Esse é o ponto que mais me preocupa na prática clínica. Muitas mulheres chegam ao consultório com queda na gestação e já usaram alguma coisa por conta própria, seja shampoo anticaída, suplemento de prateleira, ou um uso antigo de minoxidil que interromperam sem saber se podiam continuar.

A resposta direta é esta: a maioria dos tratamentos convencionais para queda capilar não tem segurança estabelecida na gravidez. O minoxidil, por exemplo, é contraindicado. Muitas substâncias tópicas com ativos farmacológicos também. Isso não significa que não há nada a fazer, mas significa que qualquer intervenção precisa de avaliação individualizada antes.

O que tem respaldo seguro, com indicação médica:

Correção de deficiências nutricionais confirmadas por exame, especialmente ferro, vitamina D, zinco e biotina, que são frequentemente deficientes em gestantes e que impactam diretamente a saúde do folículo. Ajuste da rotina de cuidado do couro cabeludo, eliminando substâncias ativas que possam ter risco sem benefício comprovado nesse período. Fotobiomodulação capilar com LED, que tem bom perfil de segurança mesmo durante a gestação e pode ser uma opção de suporte. Acompanhamento por tricoscopia para monitorar o quadro ao longo da gestação sem necessidade de tratamento invasivo.

O diagnóstico muda o que é possível fazer. Sem ele, qualquer intervenção é tentativa.

Quando a queda pós-parto precisa de tratamento

Em geral, o eflúvio pós-parto tem resolução espontânea até o primeiro aniversário do bebê, conforme o ambiente hormonal vai se normalizando, mas “em geral” não é garantia para todos os casos.

Mulheres que estão amamentando têm regularização hormonal mais lenta, e a queda pode se estender além do esperado. Mulheres com predisposição genética para alopecia androgenética podem ter o eflúvio revelando ou acelerando um quadro que já estava latente, o que muda completamente o prognóstico e o tratamento necessário. Em mulheres com histórico de disfunção tireoidiana, o pós-parto costuma ser um período de descompensação que impacta o cabelo de forma mais intensa.

Nesses casos, esperar para ver pode ser esperar demais. O folículo que responde bem ao tratamento hoje pode não responder da mesma forma em dois anos.

Como saber se a queda é eflúvio normal ou algo que pede tratamento

A avaliação clínica completa, que inclui histórico, exames laboratoriais e tricoscopia, é o que diferencia as duas situações. O eflúvio telógeno tem padrão de queda difusa, com fios em fase de telógeno identificáveis ao exame. A alopecia androgenética, quando coexiste, aparece na tricoscopia como miniaturização folicular progressiva, um sinal que o exame de sangue não mostra.

Aqui na Oasyum, no Paraíso, em São Paulo, a Dra. Natasha Veloso (CRM-SP 172.505) avalia cada caso com tricoscopia digital antes de qualquer conduta. A Consulta Reflexo 360 começa pela escuta, porque a história hormonal da paciente, incluindo o que aconteceu durante e após a gravidez, muda o diagnóstico e o tratamento do começo ao fim.

Se você está grávida, acabou de ter um bebê ou perdeu uma gestação e percebeu mudança no cabelo, agende sua Consulta Reflexo 360. A conversa começa pela sua história, não por uma fórmula pronta.


SOBRE A AUTORA

Dra. Natasha Veloso (CRM-SP 172.505) é médica formada pelo CESUPA (Centro Universitário do Pará), pós-graduada em dermatologia, estética e cirurgia dermatológica, e hoje dedica sua atuação à tricologia e à saúde capilar feminina, com foco em queda de cabelo na perimenopausa e na menopausa. Fundadora da Oasyum, em São Paulo, e associada à Academia Brasileira de Tricologia (ABT), Sociedade Brasileira de Tricologia (SBT) e Associação Brasileira de Climatério (SOBRAC). Acesse: draveloso.com.br

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