Médica tricologista explicando a relação entre estrogênio e queda de cabelo depois dos 40 anos
Natasha Veloso

Meu Exame de Sangue Está Normal e Meu Cabelo Continua Caindo: o Que Está Errado?

Essa é a situação que mais me chega no consultório nos últimos anos: a mulher foi a um médico, fez exame de sangue, voltou com “tudo dentro da normalidade”, recebeu uma orientação vaga para tomar biotina ou reduzir o estresse, e o cabelo continuou caindo exatamente como antes.

Ela não está exagerando. O exame não estava errado. O problema é que o exame de sangue e o diagnóstico capilar são informações diferentes, e confundir uma com a outra é o motivo pelo qual tantas mulheres ficam anos sem resposta real.

O que o exame de sangue vê

O hemograma e os exames laboratoriais padrão avaliam marcadores sistêmicos: os níveis de ferro e ferritina no sangue, a vitamina D circulante, os hormônios tireoidianos, o perfil hormonal feminino, os marcadores inflamatórios. Essas informações são importantes e fazem parte do diagnóstico capilar completo. Sem elas, a investigação está incompleta.

Mas elas mostram o que está circulando no sangue. Não mostram o que está acontecendo dentro do folículo e o folículo é onde a queda começa.

O que o exame de sangue não vê

A miniaturização folicular progressiva, que é a marca da alopecia androgenética, não aparece em nenhum exame laboratorial. Ela é visível na tricoscopia, que é o exame que avalia o couro cabeludo e os folículos com ampliação, revelando o calibre dos fios que estão nascendo, a proporção de fios finos e calibrosos num mesmo folículo, e o padrão de distribuição da perda.

Quando uma mulher tem alopecia androgenética ativa, os fios que nascem vão ficando progressivamente mais finos a cada ciclo capilar, enquanto o exame de sangue segue completamente normal. O folículo está perdendo capacidade, mas o sangue não registra isso.

Da mesma forma, a fase do ciclo capilar predominante em cada área do couro cabeludo, os sinais precoces de fibrose perifolicular e a inflamação do couro cabeludo que acelera a queda são informações que existem dentro do folículo, não no sangue.

Quais marcadores laboratoriais importam para o cabelo

Mesmo dentro do exame de sangue, os marcadores solicitados fazem diferença. O painel básico pedido numa consulta geral nem sempre inclui o que o cabelo precisa para ser bem avaliado.

Ferritina baixa é um dos achados mais frequentes em mulheres com queda capilar difusa, e muitos laboratórios têm valores de referência para ferritina que consideram “normal” um nível que para o folículo capilar já é insuficiente. A literatura tricológica estabelece que ferritina abaixo de 70 ng/mL pode ser um fator contribuinte para a queda, mesmo que o exame marque como “dentro do intervalo de referência”.

Vitamina D em nível baixo-normal também impacta a saúde folicular. Disfunção tireoidiana subclínica, que pode não aparecer em TSH isolado e exige T3 e T4 livres para ser identificada, é outra causa frequente de queda capilar em mulheres na perimenopausa que passa despercebida em painéis básicos.

Isso não significa que o médico anterior errou, apenas significa que o painel básico não foi desenhado para investigação capilar. A tricologia usa um protocolo de exames diferente, mais específico para esse contexto.

A sobreposição de causas que ninguém investiga

Outro problema que aparece com frequência: o exame voltou normal, mas na verdade há duas ou três causas atuando ao mesmo tempo, e nenhuma delas isoladamente apareceria em nível “anormal” no exame padrão.

Uma mulher na menopausa com ferritina em 35 ng/mL, vitamina D em 22 ng/mL e alopecia androgenética latente tem três fatores contribuindo simultaneamente para a queda. Cada um, isolado, pode estar dentro do “normal” de laboratório. Os três juntos, no mesmo folículo já mais sensível pelo contexto hormonal da menopausa, criam um ambiente de queda que não se resolve com suplemento genérico.

Identificar a sobreposição e tratar os fatores na ordem e na proporção certa é o que diferencia o tratamento que funciona do tratamento que “funciona um pouco”.

Por que a tricoscopia muda tudo

A tricoscopia digital é o exame que visualiza o couro cabeludo com ampliação, em geral entre 20 e 70 vezes. Com ela, é possível ver o calibre dos fios que estão nascendo hoje, comparar com o calibre esperado para aquela área do couro cabeludo, identificar se há miniaturização folicular progressiva (sinal de alopecia androgenética), avaliar se a queda é difusa ou localizada (o que indica causas diferentes), e observar se há alterações no couro cabeludo que precisam de tratamento próprio.

Esse exame não substitui o laboratório. Ele o complementa. O diagnóstico completo é o cruzamento das duas informações: o que circula no sangue e o que está acontecendo dentro do folículo.

Aqui na Oasyum, no Paraíso, em São Paulo, a Dra. Natasha Veloso (CRM-SP 172.505) faz a tricoscopia digital em toda primeira consulta, porque é a partir dela que o diagnóstico começa de verdade. A Consulta Reflexo 360 não se resume ao exame de sangue que você já trouxe. Ela começa onde o laboratório parou.

Se você foi a médico, fez exame, recebeu “tudo normal” e o cabelo continua caindo, agende sua Consulta Reflexo 360. A avaliação começa onde o laboratório parou.


SOBRE A AUTORA

Dra. Natasha Veloso (CRM-SP 172.505) é médica formada pelo CESUPA (Centro Universitário do Pará), pós-graduada em dermatologia, estética e cirurgia dermatológica, e hoje dedica sua atuação à tricologia e à saúde capilar feminina, com foco em queda de cabelo na perimenopausa e na menopausa. Fundadora da Oasyum, em São Paulo, e associada à Academia Brasileira de Tricologia (ABT), Sociedade Brasileira de Tricologia (SBT) e Associação Brasileira de Climatério (SOBRAC). Acesse: draveloso.com.br

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