Fui ao programa Melhor da Tarde, na Band, para falar sobre calvície e sobre as técnicas de tratamento disponíveis hoje. O formato de TV ao vivo é o que é: o tempo é curto, o público é amplo, e as respostas precisam ser acessíveis para quem não tem nenhum conhecimento prévio sobre o tema. Isso é necessário, e faz sentido para aquele espaço.
Mas quem me assiste pela TV e depois vem até o blog está buscando algo diferente. Está buscando profundidade, detalhe, a resposta que não coube no ao vivo. Então é isso que vou entregar aqui.
Calvície feminina não parece calvície masculina, e isso muda tudo
Antes de falar sobre técnicas, preciso falar sobre o que a calvície feminina é, porque a imagem mental que a palavra evoca, a linha frontal recuando, a coroa exposta, o padrão visível e delimitado, é uma imagem masculina. E quando a mulher aplica essa imagem a si mesma, ela quase sempre chega à conclusão de que “ainda não está tão ruim assim” e adia o diagnóstico.
O que a mulher com alopecia androgenética vive é diferente. Ela perde densidade e calibre de forma difusa. Os fios ficam progressivamente mais finos, mais curtos, sem o volume que sempre tiveram. A risca vai abrindo. O reflexo vai mudando. Porque ainda há cabelo, porque não há uma falha visível que confirme o que ela está sentindo, ela adapta o penteado e vai postergando a consulta.
Isso tem um custo clínico direto, porque existe uma janela de resposta ao tratamento que não fica aberta indefinidamente, e quanto mais o diagnóstico demora, menor é o que os tratamentos disponíveis conseguem recuperar.
O que cada técnica faz de verdade
Gosto de explicar os tratamentos com honestidade sobre o que cada um entrega, porque a expectativa mal calibrada é a segunda maior causa de abandono do tratamento, logo depois do diagnóstico errado.
- Minoxidil tópico ou oral: é o tratamento farmacológico com mais evidência para alopecia androgenética feminina. Atua prolongando a fase de crescimento do fio e promovendo vasodilatação no couro cabeludo, o que melhora o aporte de nutrientes ao folículo. Funciona enquanto é usado. A interrupção sem acompanhamento médico frequentemente resulta em perda do ganho obtido ao longo dos meses. A dose e a via de administração para mulheres são específicas e diferentes das usadas em homens.
- MMP capilar, o microinfiltração multiponto: procedimento em que substâncias ativas são depositadas diretamente no couro cabeludo por meio de microinjeções, levando o ativo para dentro do folículo sem depender da absorção tópica, que pode ser irregular. A composição é personalizada por caso, o que muda o resultado em comparação com protocolos padronizados. Faço esse procedimento aqui, e gosto muito dos resultados quando ele é indicado para o caso correto.
- Fotobiomodulação, o LED capilar: usa comprimentos de onda específicos da luz para estimular a atividade celular no folículo, reduzir inflamação do couro cabeludo e criar um ambiente mais favorável ao crescimento. Tem bom perfil de segurança, incluindo para mulheres em situações clínicas específicas, e funciona bem como complemento a outras abordagens. Também fazemos aqui.
- Medicamentos sistêmicos antiandrogênicos: existem opções orais que atuam reduzindo a ação do DHT nos folículos sensíveis. Têm indicação específica que depende do perfil hormonal, do histórico e do momento de vida da paciente. Mulheres na menopausa têm contexto hormonal diferente das mais jovens, e a indicação precisa considerar isso.
- Transplante capilar: remanejamento de folículos de áreas doadoras para áreas com perda. É uma opção cirúrgica com resultado permanente para os fios transplantados. Não é um procedimento que faço aqui na Oasyum, porque não é minha área de atuação cirúrgica. Quando a indicação existe e está clara, encaminho para especialistas em cirurgia capilar de confiança. Digo isso porque transparência sobre o que faço e o que não faço é parte do cuidado.
O que nenhuma técnica substitui
Diagnóstico correto. Esse é o ponto que mais quero que você leve desse texto.
Cada uma dessas técnicas tem indicação específica. Nenhuma delas funciona bem aplicada sem entender o que está causando a queda naquele caso específico. Alopecia androgenética, eflúvio telógeno, deficiência nutricional e alopecia autoimune têm mecanismos completamente diferentes, e o tratamento de uma não resolve as outras.
A mulher que já tentou três tratamentos sem resultado quase nunca tentou coisas erradas. Ela tentou coisas genéricas, ou tentou a coisa certa para uma causa que não era a dela. Isso acontece quando o diagnóstico vem depois do tratamento, em vez de antes.
Aqui, na Oasyum, no Paraíso, em São Paulo, a ordem é sempre essa: diagnóstico primeiro, com tricoscopia e exames completos, e tratamento depois, construído para o caso real.
Se você assistiu ao programa e se reconheceu em alguma parte do que foi dito, ou se está tentando tratamentos sem resultado consistente, agende sua Consulta Reflexo 360. O diagnóstico vem primeiro. O tratamento vem depois, construído para o seu caso.
SOBRE A AUTORA
Dra. Natasha Veloso (CRM-SP 172.505) é médica formada pelo CESUPA (Centro Universitário do Pará), pós-graduada em dermatologia, estética e cirurgia dermatológica, e dedico minha atuação à tricologia e à saúde capilar feminina, com foco em queda de cabelo na perimenopausa e na menopausa. Sou fundadora da Oasyum, em São Paulo, e associada à Academia Brasileira de Tricologia (ABT), Sociedade Brasileira de Tricologia (SBT) e Associação Brasileira de Climatério (SOBRAC). Acesse: draveloso.com.br
Referências bibliográficas
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